|
 |
Corpo
e Ancestralidade
Uma proposta pluricultural de dança-arte-educação
Segunda
Edição
São
Paulo, 2006
Editora Terceira Margem
|
Prefácio
da Segunda Edição
Roseli
Fischmann *
A
segunda edição do livro Corpo e Ancestralidade:
Uma proposta pluricultural de dança-arte-educação,
da professora doutora Inaicyra Falcão dos Santos vem
a público em ótimo momento.
O
livro originou-se na tese de doutorado de Inaicyra, defendida
junto à Faculdade de Educação da USP
em 1996. Desde então a trajetória de sua criação
original e singular tem feito história, tanto no meio
artístico quanto educacional.
É
no Instituto de Artes da Unicamp que a atuação
da artista compõe-se com a da educadora, formando desde
o início dos anos 1990 artistas e educadores em sua
proposta de dança-arte-educação que aplicam
e multiplicam os ensinamentos de Inaicyra pelo Brasil. Ao
mesmo tempo, é também na Unicamp que sua trajetória
de pesquisadora tem propiciado novos desenvolvimentos, em
inovadoras formas de expressão, em sua busca centrada
na compreensão e valorização da ancestralidade
africana, da qual é herdeira direta, e a criar incluir
tantos como herdeiros por meio de sua atividade acadêmica.
Depois
da primeira edição do livro, muitas conquistas
se seguiram para Inaicyra, tanto em sua atuação
na Unicamp, quanto em sua criação artística,
sendo que as duas se entrelaçam. Com isso, esta segunda
edição se junta a feitos relevantes, como o
papel desempenhado pela professora como coordenadora do Grupo
de Pesquisa Rituais e Linguagens na linha de Arte Cultura
e Sociedade junto ao Programa de Pós-Graduação
em Artes, tendo cuidado da instalação e credenciamento
do curso junto à CAPES. Esse fato tem alta relevância
acadêmica, porque se trata de área ainda pouco
desenvolvida no Brasil, e a coordenação de Inaicyra
Falcão dos Santos oferece a marca de suas investigações
sobre dança africana brasileira, colocando no devido
destaque acadêmico, em uma instituição
reconhecida internacionalmente, a importância da contribuição
africana à arte mundial.
Muitas
realizações artísticas de Inaicyra também
marcaram esse período entre as duas edições,
sendo particularmente relevante o lançamento e, já
reedição de seu CD "Okan Awa - Cânticos
da Tradição Yoruba". Compôs-se
o disco de "cantos para homenagear Mãe Senhora"
- avó de Inaicyra, na memória saudosa tão
amada quanto é hoje seu filho, Mestre Didi, pai de
Inaicyra, escultor e Alapini - , na celebração
de seu centenário. Três gerações
de amor e tradição entrelaçados, como
a demonstrar a fonte de inspiração da escolha,
em sua metodologia aqui descrita, da "trança de
gente" do livro "Bisa Bia Bisa Bel", de Ana
Maria Machado, que Inaicyra recria e generosamente nos oferece
aqui.
A
importância histórica, de grande alcance para
a cidadania, de suas elaborações artísticas,
teóricas e práticas, é evidenciada, em
particular, com inserção de seu nome como uma
das referências no Parecer no. 003/2004, de 10/3/2004,
do Conselho Nacional de Educação, sobre Ensino
de História da África, regulamentando a Lei
no. 10.639/03.
De
fato, o nome de Inaicyra Falcão dos Santos é
citado como exemplar, ao lado de nomes históricos -
como Zumbi, Lélia Gonzáles, Milton Santos, no
plano nacional, ou Rainha Nzinga, Martin Luther King e Steve
Biko, no plano internacional, entre outros negros cuja contribuição
à história do Brasil e da humanidade é
inestimável. Assim, afirma aquele Parecer:
"O
ensino de História e de Cultura Afro-Brasileira,
far-se-á por diferentes meios, inclusive a realização
de projetos de diferente natureza, no decorrer do ano
letivo, com vistas à divulgação e
estudo da participação dos africanos e de
seus descendentes em episódios da história
do Brasil, na construção econômica,
social e cultural da nação, destacando-se
a atuação de negros em diferentes áreas
do conhecimento, de atuação profissional,
de criação tecnológica e artística,
de luta social"
Na
apresentação da primeira edição,
dizia, a lembrar a missão de Inaicyra: "Ayan,
mãe de muitos". Que a profecia de então,
realizada na disseminação do nome e trabalho
de Inaicyra pelas escolas do Brasil, atingindo professores
e professoras, alunos e alunas de todas as idades, seja redobrada,
em novas possibilidades de Ayan pelo mundo.
A
Inaicyra, sucesso, luz e paz !
Que
todas as Forças e teus Ancestrais te guiem e protejam
- sempre.
*
Roseli Fischmann é professora do Programa de Pós-Graduação
em Educação da USP. Redigiu o documento do tema
transversal Pluralidade Cultural dos PCNs, MEC (1997, 1998),
foi Presidente do Júri Internacional do Prêmio
UNESCO de Educação para Paz, Paris, Visiting
Scholar da Harvard University. É também, atualmente,
Expert UNESCO para a criação da Coalizão
Global de Cidades contra o Racismo, Discriminação
e Todas as Formas de Intolerância.
|